Wednesday, December 3, 2014

Brasil en revolta -O brado de revolta do campo - Cleomar vive no fogo e na luta


Ano XIII, nº 142, 1ª quinzena de Dezembro de 2014

Pedras de Maria da Cruz - MG: manifestação realizada pela LCP no dia 24/11
bloqueou estrada exigindo punição para os assassinos de Cleomar Rodrigues
No Norte de Minas Gerais, mais de 500 camponeses de diversas áreas marcharam pelas ruas de Pedras de Maria da Cruz exigindo punição para os assassinos do dirigente da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Cleomar Rodrigues, apontando a responsabilidade do latifúndio, gerência Dilma/PT, Ouvidoria Agrária Nacional, Incra e da própria prefeitura municipal pelo crime. No Pará, em Rondônia e Bahia, camponeses e indígenas enfrentam ameaças e ataques de bandos de pistoleiros.

500 camponeses tomam Pedras de Maria da Cruz em protesto




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Camponeses bloquearam a ponte que liga as cidades de Pedras de Maria da Cruz e Januária
A pequena Pedras de Maria da Cruz, município de pouco mais de 11 mil habitantes no Norte de Minas Gerais, viveu momentos de tensão durante a manifestação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) no último dia 24 de novembro, um mês após o assassinato de Cleomar Rodrigues. Mais de 500 camponeses de diversas áreas da região, delegações de ativistas de movimentos populares e sindicais de diferentes regiões do país, operários e estudantes realizaram combativo e vibrante protesto exigindo punição para os mandantes e executores do assassinato.
Atendendo a convocação da LCP, compareceram membros de diversas associações de camponeses e trabalhadores de Pedras de Maria da Cruz e região, Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo), Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), o Movimento Feminino Popular (MFP), ativistas da Unidade Vermelha do Rio de Janeiro e Campinas (SP), Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), Comissão de Pais e Familiares de Presos Políticos do RJ, ativistas das Frentes Independentes Populares (FIP) do Rio e de São Paulo, dirigentes da LCP de Rondônia e do Pará, operários e diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte (Marreta), Escola Popular, ativistas da Liga Operária e do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate).
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A Mídia Independente Coletiva (MIC) e o Coletivo Cinza Sem Filtro, juntos à equipe de AND, estiveram presentes registrando a manifestação da LCP
Nem o período chuvoso, época em que todos os camponeses aproveitam para plantar suas roças, foi capaz de atrapalhar o ato convocado para expressar a revolta das massas do campo e de todos os verdadeiros democratas contra o assassinato covarde do dirigente camponês. Em uma grande faixa vermelha, mantida alta e à frente da manifestação, estava estampada a dor e revolta dos camponeses de todo o Norte de Minas: “Cleomar vive! Morte ao latifúndio!”.
Desde a noite anterior, o movimento da Polícia Militar na região era intenso. Pelo menos dois ônibus lotados de policiais e do batalhão do choque foram identificados. O ar estava carregado, e não só pelas nuvens de chuva.
A cidade parou para dar passagem aos camponeses e suas bandeiras vermelhas.
Ao longo dos anos, AND registrou in loco diversos movimentos e lutas populares e arriscamos afirmar que este protesto talvez tenha sido um dos que as faixas, cartazes, palavras de ordem e discursos estavam em perfeita sintonia com o estado de consciência das massas participantes e das massas que assistiam. O caráter e o conteúdo da manifestação estavam claros na convocação da LCP: repúdio ao assassinato de Cleomar, a denúncia do latifúndio como mandante do crime e a cumplicidade do Estado, desde a “presidência da república”, a Ouvidoria Agrária Nacional, o Incra, até a polícia de Minas Gerais e a própria prefeitura local.
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Durante aproximadamente quatro horas os camponeses caminharam altivos e decididos. Pararam no centro da cidade, diante da prefeitura. Denunciaram o assassinato, o seu significado, falaram os nomes dos latifundiários possíveis mandantes, lembraram das denúncias de Cleomar e convocaram a população para se juntar à Liga para tomar as terras.
Na medida em que a manifestação avançava, aumentava a temperatura e o ânimo. Os moradores de Pedras de Maria da Cruz chegaram mais perto. Pegavam o panfleto distribuído pelos manifestantes, batiam palmas. Principalmente a juventude da cidade, animada pela manifestação, ingressou nas filas, repetindo as palavras de ordem, convidando amigos e parentes para se juntarem.
Os manifestantes seguiram até a ponte que dá acesso a cidade de Januária. Previamente, haviam acumulado pneus às margens da estrada, que nesse momento foram colocados na pista formando uma barricada que foi incendiada. Era grande a vibração e a emoção de todos. Quilombolas e camponeses poetas cantaram músicas feitas para Cleomar.
Bombeiros foram apagar as chamas dos pneus e jovens atiraram pedras. Os bombeiros recuaram. Os camponeses prosseguiram seu ato, e quando os bombeiros enfim apagaram os pneus, só uma ambulância passou em mais de uma hora de bloqueio da rodovia.
Nas muretas de ponte, ficaram estampadas em grandes letras: ‘Cleomar vive! Morte ao latifúndio!’, ‘Viva a Revolução Agrária!’ e ‘Eleição Não, Revolução Sim!’. Um dos sonhos de Cleomar, fechar a ponte, foi realizado.
E no trajeto de volta, os camponeses deram o tom da decisão das massas: É guerra, é guerra, hoje foi a ponte e amanhã vai ser a terra!

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