Trump tremeu: o significado da tremenda vitória iraniana
- Redação
- 25 de jun.
Atualizado: 25 de jun.

Che Guevara, em passagem histórica, disse, trajado em uniforme militar, durante a 19ª Assembleia Geral da ONU, que não se devia confiar “nem um tantinho assim no imperialismo, nada”. Estas são palavras importantes para discernir mentiras de verdades no atual conflito entre a maior potência militar do planeta (EUA) e seu preposto sionista (Israel), de um lado, e a resistência iraniana e palestina, de outro, que impôs um castigo aos agressores e os obrigou a recuar, ao menos em parte, dos seus intentos genocidas.
Antes de qualquer coisa, é preciso demarcar uma clara linha de classe na questão internacional. O que é o imperialismo? Ele, segundo Lênin, é a partilha do mundo por meia dúzia de potências armadas até os dentes; é por isso, em última instância, a guerra. A “paz social”, sempre relativa –porque, insistimos quantas vezes for necessário, sob o capitalismo ela não pode ser outra coisa senão um doloroso período de decadência em que os oprimidos se deixam saquear mais ou menos impunemente –, é transitória, o aspecto permanente do imperialismo são as disputas por esferas de influência no plano externo e a guerra civil, declarada ou não, contra o proletariado e as nacionalidades oprimidas no interior das suas fronteiras. Neste sentido, o período ocorrido ao final da União Soviética, com amplo predomínio dos Estados Unidos como superpotência hegemônica inconteste, foi excepcional e chegou ao fim: ao contrário do que se viu no Iraque, em 2003, quando a ação militar unilateral ianque não despertou mais do que tímidos protestos de outros contendentes (a agressão ao Afeganistão, ainda durante o furor do 11 de setembro de 2001, foi sancionada pelo Conselho de Segurança da ONU), agora, na agressão ao Irã, tanto China quanto Rússia condenaram com veemência a ação de Trump e no mínimo condescenderam com a justa resposta iraniana, indicando que para tomar a milenar capital do reino persa o bandido ianque teria que desembarcar tropas, em uma operação caríssima, sangrenta e sem nenhuma garantia de êxito, que teria de mobilizar 1 milhão de homens segundo diferentes analistas. E se Rússia e China incentivaram a resposta iraniana não foi por amor à liberdade ou à independência nacional (uma vez que ambas potências espezinham tais valores sem pudores quando se tratam dos seus próprios interesses domésticos) e sim porque lhes seria vantajoso ver seu maior inimigo atolado com lama até os joelhos, situação que abreviaria a hegemonia norte-americana em anos e até em décadas.



