A fuga de Flávio Bolsonaro do País, no dia seguinte à sua derrota eleitoral, com o apoio de Trump, confirma que o bolsonarismo não é uma mera corrente política, mas um grupo de sabotadores, conspiradores e terroristas, financiados pelo imperialismo estadunidense. É preciso combinar a mobilização das ruas com medidas econômicas efetivas de proteção aos trabalhadores, para recuperar a sua parcela que se deixou iludir pela demagogia bolsonarista. Ao mesmo tempo, devemos exigir a repressão mais severa contra os bandidos fascistas, seus líderes e financiadores.
A onda de mobilização popular que atropelou o bolsonarismo nas últimas semanas é um grande acontecimento brasileiro e mundial. Ela prova que é possível vencer a extrema-direita, desde que se rompa a política de concessões e apaziguamentos e se lhe enfrente medida por medida. O fato de que uma liderança moderada como Lula tenha sido o catalisador deste movimento é resultado de décadas de desorganização e confusão ideológica entre aqueles que se dizem revolucionários. A estes, cabe trabalhar duro e com clareza, ligados às massas trabalhadoras, para reocupar a vanguarda do processo histórico, não apenas na literatura, mas também na vida. Ao contrário do que apregoam certos catastrofistas, o fato de que a enorme mobilização de massas tenha resultado em derrota do bolsonarismo é o melhor cenário para a continuidade da luta nos próximos anos. As pessoas simples do povo despertaram para a luta política, experimentaram os laços de solidariedade e esperança que nascem da militância, ganharam confiança nas suas próprias forças e ninguém será capaz de devolvê-las ao papel de meras espectadoras.
O bolsonarismo é o nome brasileiro para fascismo nesta quadra do século XXI, como integralismo o era na década de 30 do século passado. Trata-se de um movimento que representa os setores mais reacionários do capital financeiro e que pretende mudar a forma estatal de dominação da burguesia, instaurando uma ditadura contrarrevolucionária aberta. O bolsonarismo tentou uma quartelada há apenas quatro anos e agora, durante as eleições, praticou sabotagem contra o deslocamento de eleitores, censura nas redes sociais e se valeu de financiamento estrangeiro para impulsionar seus candidatos. Se eleito Flávio Bolsonaro, é líquido e certo que não haveria pleito daqui a quatro anos - o que, incrivelmente, foi confessado pelo próprio candidato derrotado. A sua fuga confirma que se trata de um grupo geneticamente golpista, que trama para vender o nosso país ao imperialismo estadunidense.
A derrota eleitoral, contudo, não significa o fim do bolsonarismo, que deitou raízes econômicas, políticas e culturais na sociedade brasileira. A manutenção da sua força, entre 2022 e 2026, mesmo após o 8 de janeiro e a revelação das entranhas da tentativa de golpe, comprova a falência da política de apaziguamento. Foi a brava juventude, sedenta de vontade de lutar, que rompeu anos de desmobilização e iniciou a jornada antifascista a partir de 5 de outubro. Agora que Lula foi reeleito, os mesmos articulistas e dirigentes partidários que trabalharam diuturnamente pela eleição de Bolsonaro recomendam a cartilha de prudência, ajuste fiscal e pacificação, ou seja, um estelionato eleitoral que frustraria as camadas populares e alimentaria a demagogia bolsonarista. Devemos exigir que o novo governo implemente o quanto antes o fim da escala 6x1, mantenha a proibição das bets, institua a tarifa zero nos ônibus e enfrente as demandas populares por direitos trabalhistas, habitação, saúde de qualidade e tantas outras. A mobilização de massas não deve ser um anexo das diretrizes que vêm dos palácios, mas um fator independente de defesa dos direitos dos trabalhadores e de luta ideológica antifascista na base da sociedade. Ao mesmo tempo, devemos reivindicar que os líderes e financiadores dos golpistas sejam devidamente punidos. O mesmo vale para seus provocadores locais, que merecem receber o devido castigo da ira popular.
Por fim, desde esta Revista saudamos o povo brasileiro, pela demonstração de energia, coragem e solidariedade que assombraram o mundo. Há um ditado que diz “se os velhos pudessem, se os jovens soubessem”. Nessas últimas semanas, o que se viu foram as gerações anteriores reunindo forças da onde parecia não haver para agir, unidas às gerações mais novas que souberam o que fazer quando as cúpulas batiam cabeças. O Brasil que amamos e defenderemos contra a agressão imperialista não é o país dos Nikolas, Pavanato ou Campopiano; não é o Brasil da celerada do chicote ou dos racistas e assassinos de aluguel.
O Brasil que amamos e defenderemos é o Brasil dos milhões de trabalhadores e intelectuais progressistas da cidade e do campo, que se levantaram como uma muralha para barrar a passagem aos insolentes fascistas. Um país capaz de fazer piadas das suas próprias mazelas e lutar com uma energia e criatividade inigualáveis contra seus inimigos. Aqueles que, dizendo-se de esquerda, simplesmente cruzaram os braços e ficaram à margem deste potente movimento de massas contra os nossos piores inimigos, são, no melhor dos casos, doutrinários incorrigíveis, e no pior lacaios remunerados da reação, que merecem ser repudiados como quinta-coluna da direita nos meios operários.
Avante, sem recuar, desmobilizar e nem esmorecer!

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