Thursday, June 4, 2026

Portugal - Forças de repressao espancam manifestantes durante Greve Geral - nova aurora

O ataque das forças de repressão da PSP resultou em 6 manifestantes ilegalmente detidos e dezenas de feridos.


Nesta quarta-feira, 3 de junho, ao fim das manifestações da Greve Geral, as forças de repressão da Polícia de Segurança Pública (PSP) interviram violentamente contra manifestantes que protestavam pacificamente contra o Pacote Laboral, numa ação que terminou com pelo menos seis detidos e vários feridos, dentre os quais estavam dois integrantes do Comité de Apoio à Nova Aurora, de Lisboa, que faziam a cobertura jornalística da Greve.

Segundo testemunhos recolhidos no local, as forças militares deslocaram-se até ao ponto de concentração com o pretexto de "dispersar" os manifestantes que permaneciam pacificamente no passeio. Parte dos presentes recusou abandonar o local, invocando o seu direito à manifestação. Em resposta, a PSP avançou sobre todos os que se encontravam no local, espancando e agredindo indiscriminadamente.

Após uma primeira carga policial, os agentes recuaram e formaram um cordão à espera de ordens para nova intervenção, impedindo também os manifestantes de se movimentarem. Nessa altura, a estrada que a polícia alegava querer abrir já se encontrava totalmente desobstruída e os manifestantes tinham-se retirado para o passeio. Ainda assim, aguardou-se a chegada do Corpo de Intervenção (CI) para desencadear nova onda de agressões, captadas em vídeo e amplamente difundidas.

A versão policial, de que terão sido erguidas barricadas antes da intervenção, fraudulenta e serve apenas para justificar o uso de violência indiscriminada contra civis. As barricadas em questão só foram erguidas depois do início das agressões como forma de defesa dos manifestantes.

Entre as vítimas contam-se também pessoas que documentavam a manifestação com câmaras. Um dos ativistas presentes foi atacado pelas costas já enquanto abandonava o local, recebendo golpes na coxa e no braço, apesar de ter declarado expressamente que estava a sair.

Alguns manifestantes foram ainda encurralados junto a uma queda de cerca de dois metros, cercados pelos agentes, e informados de que, para saírem, teriam de se "mandar", ou seja, saltar daquele sítio. Mesmo tendo declarado que sairiam pacificamente, foram igualmente agredidos.

O secretário-geral da CGTP-IN, seguindo o modus operandi padrão oportunista, responsabilizou pelo ocorrido "grupos que se integram nas manifestações", alinhando com a narrativa reacionária que fala em "desobediência" e "resistência" para culpar as vítimas.


No comments:

Post a Comment